Resto de carniça sobre a secura dura do chão. Ossos espalhados ao redor, cantando o som da morte. Uma única poça d'água ao longo da extensão desértica, o rosto de um homem refletido sobre o barro. Água suja, provavelmente de algum viajante que a jogara ali por estar contaminada: quase todas as raras reservas fluviais das redondezas estavam naquele estado.
Seu rosto barbado e com sulcos profundos, resultado de uma erosão que lhe atingia a pele, se contorcia em um grito franzino, ralo, anêmico. Suas cordas vocais já não respondiam como outrora, estavam mudas em respeito à morte que as cercavam. Contudo, sua expressão ainda era viva, e esta urrava, soltando todo o seu fôlego, impedido de sair, em contorções de dor. Pura dor, ódio e desespero. Ele morreria tal como nascera: fraco, triste, seco, morto.
Os olhos, no brilho da água, fecharam-se. A face colidiu com a umidade e o solo rígido, fazendo gotas respingarem em seu cabelo desgrenhado, acompanhadas do último som que ouviu em vida: o da sua face colidindo com a terra. Desacordado, não sentia o cianureto percorrendo suas veias.
domingo, 27 de setembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Tão ácido
Algo inédito entre paredes velhas. Rostos amargurados, sonhos desfeitos e um ciclo lunar a espreitar as escolhas e erros de gente feita, que já aprendeu a andar, mas não sabe como caminhar.
Coesão, assiduidade e platelmintos. Com certeza eles não aprenderam isso.
Resta apenas a vida, convidativa, porém perigosa. As portas estão abertas e as janelas escancaradas, basta seguir em frente e caminhar sob a chuva ácida da primavera. Seus respingos são suficientes para corroer as roupas, e, quando completa, o interior e as certezas. Tudo ou nada. É a liberdade!
Onde estão as chances de errar? Os dados estão rolando, os resultados são previsíveis: são viciados, são meus. Quando eles pararem, terei que ir, enfrentar o ácido, o gosto azedo e a sensação corrosiva. E, na química da minha essência, resta a incerteza. As decisões se fazem cobradas, os minutos pontuam as horas, e só vai me restar andar e transpor as portas. Meu mundo ácido.
Eu tenho planos para o futuro, só não me pergunte quais.
Coesão, assiduidade e platelmintos. Com certeza eles não aprenderam isso.
Resta apenas a vida, convidativa, porém perigosa. As portas estão abertas e as janelas escancaradas, basta seguir em frente e caminhar sob a chuva ácida da primavera. Seus respingos são suficientes para corroer as roupas, e, quando completa, o interior e as certezas. Tudo ou nada. É a liberdade!
Onde estão as chances de errar? Os dados estão rolando, os resultados são previsíveis: são viciados, são meus. Quando eles pararem, terei que ir, enfrentar o ácido, o gosto azedo e a sensação corrosiva. E, na química da minha essência, resta a incerteza. As decisões se fazem cobradas, os minutos pontuam as horas, e só vai me restar andar e transpor as portas. Meu mundo ácido.
Eu tenho planos para o futuro, só não me pergunte quais.
sábado, 15 de agosto de 2009
Flores?
Palavras, palavras... e a vontade de escrever, que continua aqui comigo.
Pela primeira vez, não importa o significado ou a razão, basta expressar algo, ser eu mesma na formação de cada sílaba, pois é entre textos e desenhos que me encontro plenamente.
Então aqui está, puro e simples:
“Impossível explicar a origem dessas palavras às 2 da manhã, quando estou parada olhando o céu, esperando a chuva de meteoros que sei que não conseguirei ver. Estranho seria tentar explicar o inexplicável, mas há uma lua linda suspensa entre as estralas, que brilha viva e preenche cada canto com uma imensa paz, tornando cada respiro uma sensação de encantamento, como se o ar pudesse estimular um sexto sentido indescritível. E, se o concreto desgastado e a desordem ao meu redor ganham ares belos no frio desta noite, meus pensamentos direcionam-se para um único alguém. Estranho seria, agora, não pensar em você.”
13.08.09
“Como se valsasse, meus pés saem do chão em um movimento lento, porém intenso, sendo conduzida pelo sonho do momento, deixando cada nota da música ressoar dentro de mim, ritmando meu coração. São alguns minutos vivendo na sintonia perfeita, e, findada a dança, levo para o resto do dia cinzento borrões e traços em azul. Há cor em meio a tantas sombras. A valsa retorna, dia após dia, fazendo a vida ser, enfim, sentida, e o perfume das rosas possuírem significado novamente. Passo após passo, e só consigo pensar em como quero que seja eterno, embora saiba que o tempo não permitiria. Por enquanto a valsa continua, então me conduza e não deixe a música parar. Não hoje.”
15.08.09
“Rostos, olhos e palavras. O mundo resmunga pelo atraso, pelo cansaço, pelo medo e pelo fracasso. A vida não é mais admirada pelo simples fato de que não é vivida, apenas suportada. Rotina, frio, responsabilidades, mas hoje ouvi pássaros cantando e vi nuvens douradas a nos espiar. Isso, por si só, bastaria, no entanto, ainda havia música. Aquela que ouço surdamente em minha cabeça, sendo cantada por olhos, seus olhos. A minha música. E houve, por um momento, a perfeição.”
15.08.09
E, talvez, haja flores pelo caminho...
Pela primeira vez, não importa o significado ou a razão, basta expressar algo, ser eu mesma na formação de cada sílaba, pois é entre textos e desenhos que me encontro plenamente.
Então aqui está, puro e simples:
“Impossível explicar a origem dessas palavras às 2 da manhã, quando estou parada olhando o céu, esperando a chuva de meteoros que sei que não conseguirei ver. Estranho seria tentar explicar o inexplicável, mas há uma lua linda suspensa entre as estralas, que brilha viva e preenche cada canto com uma imensa paz, tornando cada respiro uma sensação de encantamento, como se o ar pudesse estimular um sexto sentido indescritível. E, se o concreto desgastado e a desordem ao meu redor ganham ares belos no frio desta noite, meus pensamentos direcionam-se para um único alguém. Estranho seria, agora, não pensar em você.”
13.08.09
“Como se valsasse, meus pés saem do chão em um movimento lento, porém intenso, sendo conduzida pelo sonho do momento, deixando cada nota da música ressoar dentro de mim, ritmando meu coração. São alguns minutos vivendo na sintonia perfeita, e, findada a dança, levo para o resto do dia cinzento borrões e traços em azul. Há cor em meio a tantas sombras. A valsa retorna, dia após dia, fazendo a vida ser, enfim, sentida, e o perfume das rosas possuírem significado novamente. Passo após passo, e só consigo pensar em como quero que seja eterno, embora saiba que o tempo não permitiria. Por enquanto a valsa continua, então me conduza e não deixe a música parar. Não hoje.”
15.08.09
“Rostos, olhos e palavras. O mundo resmunga pelo atraso, pelo cansaço, pelo medo e pelo fracasso. A vida não é mais admirada pelo simples fato de que não é vivida, apenas suportada. Rotina, frio, responsabilidades, mas hoje ouvi pássaros cantando e vi nuvens douradas a nos espiar. Isso, por si só, bastaria, no entanto, ainda havia música. Aquela que ouço surdamente em minha cabeça, sendo cantada por olhos, seus olhos. A minha música. E houve, por um momento, a perfeição.”
15.08.09
E, talvez, haja flores pelo caminho...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Fatos
Estranha dor que dilacera o peito. Estranho sentimento que não preenche, apenas congela. Estranho mundo efêmero que não permite que nada seja nosso. Estanha falta que atropela os sorrisos. Estranhas perguntas sem respostas, que geram remorso e raiva. Estranhas crenças que se confundem entre os minutos e as horas. Estranha noite sem dormir, incompleta, amarga. Estranha maneira de continuar...
As gotas da chuva faziam nascer flores sobre solo no sonho que ele tivera. E ele o viu sorrindo, feliz, cercado de vida. “Vem ver”. Era lindo.
Ouvir o que contavam, sorrindo com a esperança e evitando o choro da falta. “E a mão não sumiu”. “Acha que era ele?”. “Acho”.
E o sono desfigurava, criava, imaginava. Por fim, permitiu a ilusão de um último suspiro. Ah, como eu queria que fosse real, mas que não fosse o último.
E, agora, eu queria você aqui para me dizer que está tudo bem. Porém, sei que não está.
Sinto sua falta.
As gotas da chuva faziam nascer flores sobre solo no sonho que ele tivera. E ele o viu sorrindo, feliz, cercado de vida. “Vem ver”. Era lindo.
Ouvir o que contavam, sorrindo com a esperança e evitando o choro da falta. “E a mão não sumiu”. “Acha que era ele?”. “Acho”.
E o sono desfigurava, criava, imaginava. Por fim, permitiu a ilusão de um último suspiro. Ah, como eu queria que fosse real, mas que não fosse o último.
E, agora, eu queria você aqui para me dizer que está tudo bem. Porém, sei que não está.
Sinto sua falta.
domingo, 2 de agosto de 2009
Mais uma vez...
E que a história ganhe vida!
_____________________
Hoje, sorrio também pelas lágrimas que derramei, pois cada uma significou uma lição aprendida. E você sorri pelo que?
_____________________
Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 2
/ Capítulo I
A sala, com seus móveis antigos de madeira, guardava as duas figuras peculiares e imóveis imersas na iluminação precária de um abajur. O homem em pé, com os cabelos negros jogados sobre os olhos e a barba por fazer, mantinha um ar severo que não lhe era próprio, embora a expressão o fosse. Sentado à sua frente, em uma poltrona carcomida, o jovem o observava irritado. As sombras descreviam a cena em dimensões gigantescas, sobre quadros e fotos desbotadas fixados à parede. O silêncio foi quebrado de maneira súbita:
- Enquanto estiver morando comigo, quero que me respeite.
- Desculpe...
- Sei que é difícil se acostumar com esse lugar e que não há muito que fazer por aqui, mas garanto que ouvir esses discursos é uma grande perda de tempo.
- Mas você tem que concordar que a polícia não descobriu mais nada sobre o desaparecimento dela...
- A polícia, certamente, sabe mais do que divulga e, quanto a isso, não podemos fazer nada.
- Como assim? Ela é sua amiga. Foi você quem chegou a sua casa e percebeu que havia algo errado quando ela não atendeu a porta. Você, com certeza, é a pessoa que mais sabe sobre o caso, não pode querer se abster desse jeito!
- Tudo o que sei é o que relatei à polícia: tínhamos combinado de nos encontrar e ela não estava em casa quando fui buscá-la. Apenas isso.
- Eu a conheci no dia em que cheguei, vi o seu entusiasmo enquanto me contava sobre seus projetos, sobre a escola em que lecionava e sobre como ela se mudou para a cidade. Qualquer um que a visse saberia que ela não abandonaria tudo dessa forma, e você a conhecia, sabe que deve ter alguém por trás disso!
- Disse bem: a conheceu quando veio para cá, isso há três semanas. Então não pense que pode julgar alguém ou alguma coisa daqui! Você não a conhece e não me conhece, entendeu?
A luz piscou. O fio envelhecido do abajur causava isso. A tensão que pairou no ar foi logo diluída quando o som de passos preencheu os cantos vazios da sala. As sombras na parede denunciavam um homem de cabelos relativamente longos andando pela casa em suas atividades normais, e outro sentado, imóvel e silencioso. Senão frequentes, conversas naquele tom não eram incomuns. E as palavras ricocheteavam na mente do garoto, que se vira obrigado a morar com o amigo de infância do pai, enquanto este viajava a negócios para a Holanda.Voltar, voltar... desejo intenso, ávido e diário, que gritava surdamente em seu peito, mas não naquele momento. Ele queria ficar, pois sabia que havia algo para ser feito ali, no inverno daquela cidade pequena e interiorana, nem que fosse apenas descobrir os mistérios guardados nos olhos, sempre escondidos pelo cabelo, daquele homem que o acomodara em sua casa.
Levantou-se ao som da água batendo no fundo da pia. A louça estava sendo lavada. E o cheiro de café invadiu seu quarto antes que pudesse fechar a porta. Aquele homem passaria mais uma noite acordado, e ele teria que ir para a escola no outro dia pela manhã.
_____________________
Hoje, sorrio também pelas lágrimas que derramei, pois cada uma significou uma lição aprendida. E você sorri pelo que?
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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 2
/ Capítulo I
A sala, com seus móveis antigos de madeira, guardava as duas figuras peculiares e imóveis imersas na iluminação precária de um abajur. O homem em pé, com os cabelos negros jogados sobre os olhos e a barba por fazer, mantinha um ar severo que não lhe era próprio, embora a expressão o fosse. Sentado à sua frente, em uma poltrona carcomida, o jovem o observava irritado. As sombras descreviam a cena em dimensões gigantescas, sobre quadros e fotos desbotadas fixados à parede. O silêncio foi quebrado de maneira súbita:
- Enquanto estiver morando comigo, quero que me respeite.
- Desculpe...
- Sei que é difícil se acostumar com esse lugar e que não há muito que fazer por aqui, mas garanto que ouvir esses discursos é uma grande perda de tempo.
- Mas você tem que concordar que a polícia não descobriu mais nada sobre o desaparecimento dela...
- A polícia, certamente, sabe mais do que divulga e, quanto a isso, não podemos fazer nada.
- Como assim? Ela é sua amiga. Foi você quem chegou a sua casa e percebeu que havia algo errado quando ela não atendeu a porta. Você, com certeza, é a pessoa que mais sabe sobre o caso, não pode querer se abster desse jeito!
- Tudo o que sei é o que relatei à polícia: tínhamos combinado de nos encontrar e ela não estava em casa quando fui buscá-la. Apenas isso.
- Eu a conheci no dia em que cheguei, vi o seu entusiasmo enquanto me contava sobre seus projetos, sobre a escola em que lecionava e sobre como ela se mudou para a cidade. Qualquer um que a visse saberia que ela não abandonaria tudo dessa forma, e você a conhecia, sabe que deve ter alguém por trás disso!
- Disse bem: a conheceu quando veio para cá, isso há três semanas. Então não pense que pode julgar alguém ou alguma coisa daqui! Você não a conhece e não me conhece, entendeu?
A luz piscou. O fio envelhecido do abajur causava isso. A tensão que pairou no ar foi logo diluída quando o som de passos preencheu os cantos vazios da sala. As sombras na parede denunciavam um homem de cabelos relativamente longos andando pela casa em suas atividades normais, e outro sentado, imóvel e silencioso. Senão frequentes, conversas naquele tom não eram incomuns. E as palavras ricocheteavam na mente do garoto, que se vira obrigado a morar com o amigo de infância do pai, enquanto este viajava a negócios para a Holanda.Voltar, voltar... desejo intenso, ávido e diário, que gritava surdamente em seu peito, mas não naquele momento. Ele queria ficar, pois sabia que havia algo para ser feito ali, no inverno daquela cidade pequena e interiorana, nem que fosse apenas descobrir os mistérios guardados nos olhos, sempre escondidos pelo cabelo, daquele homem que o acomodara em sua casa.
Levantou-se ao som da água batendo no fundo da pia. A louça estava sendo lavada. E o cheiro de café invadiu seu quarto antes que pudesse fechar a porta. Aquele homem passaria mais uma noite acordado, e ele teria que ir para a escola no outro dia pela manhã.
domingo, 26 de julho de 2009
Minha obscura subjetividade
“Deixe os dedos deslizarem o lápis sobre o papel como desejarem. Deixe-os traçar as curvas de seu pensamento e, risco após risco, não os deixe parar. Termine e não discorra sobre o que foi escrito, apenas leia e chore, se quiser...”
Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.
“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”
Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.
“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Porque sempre há um começo...
... mas haveria um fim?
_____________________
O fascínio de escrever é, depois de tempos, encontrar um texto seu, ler e dizer: “que bonito”.
_____________________
Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 1
/ Capítulo I
O desaparecimento de Ema Watson continua sob investigação. A polícia recusa retratar-se até possuir mais detalhes sobre o ocorrido. Até o presente momento, a única informação disponível é de que, há uma semana, a jovem fora vista chegando a sua casa e horas depois, sem nenhum sinal de invasão do recinto ou de que ela tivesse abandonado definitivamente o lugar, o seu sumiço foi notado. A espera de 48 horas para que se possa prestar queixa frente à polícia pode ser umas das causas do fracasso das investigações. Isso só prova como a eficiência da...
- Desligue isso.
... é contestável e como os responsáveis pela segurança pública...
- Já mandei desligar.
- É sobre Ema Watson...
... de garantir a proteção e como são uma decepção perante...
- É só um bando de sensacionalistas que criticam o trabalho dos outros e falam o que não sabem! Estou farto de ouvir isso!
... e é devido a isso que a criminalidade só vem aumentando nos últimos...
- Desligue, Pietro!
... e como Ema Watson foi vítima, todos nós podemos sofrer os...
- Será que até isso eu tenho que fazer?
O rádio calou-se. Por instantes frios eles se entreolharam sem dizer palavra.
Possivelmente, continua...
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O fascínio de escrever é, depois de tempos, encontrar um texto seu, ler e dizer: “que bonito”.
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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 1
/ Capítulo I
O desaparecimento de Ema Watson continua sob investigação. A polícia recusa retratar-se até possuir mais detalhes sobre o ocorrido. Até o presente momento, a única informação disponível é de que, há uma semana, a jovem fora vista chegando a sua casa e horas depois, sem nenhum sinal de invasão do recinto ou de que ela tivesse abandonado definitivamente o lugar, o seu sumiço foi notado. A espera de 48 horas para que se possa prestar queixa frente à polícia pode ser umas das causas do fracasso das investigações. Isso só prova como a eficiência da...
- Desligue isso.
... é contestável e como os responsáveis pela segurança pública...
- Já mandei desligar.
- É sobre Ema Watson...
... de garantir a proteção e como são uma decepção perante...
- É só um bando de sensacionalistas que criticam o trabalho dos outros e falam o que não sabem! Estou farto de ouvir isso!
... e é devido a isso que a criminalidade só vem aumentando nos últimos...
- Desligue, Pietro!
... e como Ema Watson foi vítima, todos nós podemos sofrer os...
- Será que até isso eu tenho que fazer?
O rádio calou-se. Por instantes frios eles se entreolharam sem dizer palavra.
Possivelmente, continua...
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