quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Para não ler

Porque são palavras agrupadas na mais completa falta de sentido.




“Não sei explicar, mas sinto-me, por vezes, vazia. E tudo o que eu faço é errado e errado. O que estou fazendo agora é errado. E só resta a esperança boba e infantil de que, se eu insistir, as coisas vão melhorar. Contudo elas não vão. Não agora. Não hoje. E eu não sei como parar.”

“Já olhou pela janela hoje? Não vi o sol, não vi o seu brilho. É tão escuro e frio aqui dentro. As flores estão morrendo, porque os vasos quebraram. E o relógio só mostra as horas pares.”

“Onde está a minha chance de recomeçar? Onde eu estou? E você? Os dias passam rápidos, sem sentido. Talvez seja tarde... é tarde. Eu vi seu rosto por trás de um vidro embaçado, ele parecia mais jovem e feliz. Então me diga, por onde tem andado?”

“Uma palavra, muitos significados. Medo... o que significa para você? E felicidade? Individualidade, este é o melhor termo, é o que traduz a nossas diferenças, nossos pontos de vista. Quantos significados a palavra ‘amadurecer’ pode ter? Arriscaria dizer que a mesma quantidade do número de pessoas vivas. E, dentre tantas e tantas palavras, um substantivo próprio não me deixa dormir. Uma única palavra dentre tantas... comum, comum.”

“Demoradamente, a caneta pousou sobre a mesa. Ela abandonou em um canto o pedaço de papel rasurado, não poderia continuar escrevendo. A caneta rolou e estalou em contato com o chão frio. E o papel recebera segredos demais em um único dia, por isso tremia, acompanhando a brisa que penetrava pela janela. Eram informações demais, densas, graves, particulares, e ele as contaria, uma a uma, para todos os olhos que estivessem interessados. Era responsabilidade demais para uma única folha velha de papel. E a caneta não desistiu de rolar pelo chão, dando continuidade à sua fuga.”

“Não era música, eram sentimentos. Não eram medos, eram pavores. Não eram risos de alegria, eram de desespero. Dor por descrença? Não... por esperança. Não eram adultos, ainda eram crianças. Não era o tempo, era a falta dele. Não era a certeza, mas a insegurança. Não era você, era eu.”

“E os olhos insistem em fechar-se. Sono, sonho, sonambulismo acordado. É cedo para parar e muito tarde para continuar. Soluções? Ela dorme e dorme, em um desvario desperto.”





Não avisei?