domingo, 26 de julho de 2009

Minha obscura subjetividade

“Deixe os dedos deslizarem o lápis sobre o papel como desejarem. Deixe-os traçar as curvas de seu pensamento e, risco após risco, não os deixe parar. Termine e não discorra sobre o que foi escrito, apenas leia e chore, se quiser...”




Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.




“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Porque sempre há um começo...

... mas haveria um fim?

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O fascínio de escrever é, depois de tempos, encontrar um texto seu, ler e dizer: “que bonito”.

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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.


Parte 1

/ Capítulo I


O desaparecimento de Ema Watson continua sob investigação. A polícia recusa retratar-se até possuir mais detalhes sobre o ocorrido. Até o presente momento, a única informação disponível é de que, há uma semana, a jovem fora vista chegando a sua casa e horas depois, sem nenhum sinal de invasão do recinto ou de que ela tivesse abandonado definitivamente o lugar, o seu sumiço foi notado. A espera de 48 horas para que se possa prestar queixa frente à polícia pode ser umas das causas do fracasso das investigações. Isso só prova como a eficiência da...

- Desligue isso.

... é contestável e como os responsáveis pela segurança pública...

- Já mandei desligar.
- É sobre Ema Watson...

... de garantir a proteção e como são uma decepção perante...

- É só um bando de sensacionalistas que criticam o trabalho dos outros e falam o que não sabem! Estou farto de ouvir isso!

... e é devido a isso que a criminalidade só vem aumentando nos últimos...

- Desligue, Pietro!

... e como Ema Watson foi vítima, todos nós podemos sofrer os...

- Será que até isso eu tenho que fazer?
O rádio calou-se. Por instantes frios eles se entreolharam sem dizer palavra.




Possivelmente, continua...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sobre um texto e uma amizade

Ela sentia como se alguém segurasse sua mão e como se, pela primeira vez, fosse compreendida. Sua mão, contudo, repousava fria sobre a mesa. Não havia ninguém por perto, não fisicamente, mas aquelas palavras demonstravam que não estava mais só. O texto era doce, amigo, sincero. Narrava o que sentira constantemente nos últimos meses, o mundo ao qual tinha medo de voltar, o rosto que permanecera, por tanto tempo, borrado pela maquiagem diluída em lágrimas e, mais do que tudo, narrava o recomeço, a reação, a volta à vida e o abraço amigo. Abraço este que ela podia sentir apenas murmurando o que lia, que lhe dava forças pra continuar e que ela sabia que não a deixaria cair. Não dessa vez.

Ela passou a mão sobre o rosto. Não havia mais a maquiagem borrada, isso porque anjos sem asa não a deixaram chorar. E ao contrário, ela sorria, pois se sentia querida e reconhecia o valor da amizade.
O seu peito apenas doía por saber que, não importaria o que fizesse ou o que dissesse, jamais conseguiria retribuir aquele gesto. E como ela queria retribuir! Como ela queria parar o mundo, dar um longo abraço no anjo que a encantara com o seu texto e dizer que ficaria tudo bem, dizer que não havia o que temer, pois o futuro era lindo e reservaria boas surpresas. Mas ela não conhecia o que estava por vir para afirmar algo e a única coisa que poderia dizer é que estaria ali para ajudar aquele anjo a enfrentar qualquer tempestade, sempre pronta para segurá-lo, para não deixá-lo cair, ou para destruir qualquer obstáculo que surgisse.

E ela está lá, está de braços estendidos, oferecendo sua mão para ser segurada, esperando para ver o sorriso sincero daquele anjo, porque ele merece ser feliz. E ela permanecerá lá, sem mover nenhum músculo, enquanto ele não sorrir, porque ela o ama e ama todos os outros anjos. E esperar uma eternidade seria pouco se pudesse ver cada um deles sorrir novamente.

E ela espera e espera. Sempre pronta para oferecer um abraço e sua amizade. Espera...