Um trecho perdido, mas que, entre se perder em um tumulto de arquivos desordenados e se perder aqui, prefiro que seja aqui:
"Talvez aquela fosse uma maneira de agradecer ou apenas um método de pedir ajuda. Seja como for, não há mais tempo para arrependimentos: a carta guardada em um envelope pardo, neste tempo, já está cercada por centenas de outras correspondências das mais diversas formas e tamanhos. Com destino distante, é possível que minhas palavras demorem a chegar, mas tenho todo o tempo do mundo na espera de uma resposta e, assim, há uma chance de voltar a sorrir novamente... Então espero, observando a fina chuva de dezembro molhar a copa das árvores ao longo da rua, em uma reflexão pouco precisa, mas sincera.
Certas buscas pessoais começam com perguntas, outras, com respostas. Tudo em uma oscilação complementar entre os que procuram desvendar a vida na sede de suas curiosidades e questionamentos, e entre os que traçam seus objetivos sobre certezas voláteis, com a convicção de que se tornará realidade tudo o que planejam, como a casa tão desejada ou o casamento perfeito. Entre duas alternativas, optei encarar o mundo de uma terceira forma: o nada. Sem perguntas específicas, sem respostas promissoras, sem, ao menos, qualquer sentimento explicável ou traduzível. Era apenas um grande vazio com medo das eventuais dúvidas e, mais ainda, das possíveis respostas. E era esse medo que preenchia meus segundos e me ensinava o desencanto, a frieza das ações, a constante vontade de chorar e a aspereza a muitas pessoas..."
Há uma falta tão grande aqui.