“Deixe os dedos deslizarem o lápis sobre o papel como desejarem. Deixe-os traçar as curvas de seu pensamento e, risco após risco, não os deixe parar. Termine e não discorra sobre o que foi escrito, apenas leia e chore, se quiser...”
Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.
“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”
Suas palavras são sempre tão lindas e refletem tanto a realidade. Adoro o jeito que você escreve, o jeito que você se expressa, e o jeito que eu me identifico sempre com cada palavra.
ResponderExcluirEu amo o que você escreve!