E que a história ganhe vida!
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Hoje, sorrio também pelas lágrimas que derramei, pois cada uma significou uma lição aprendida. E você sorri pelo que?
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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 2
/ Capítulo I
A sala, com seus móveis antigos de madeira, guardava as duas figuras peculiares e imóveis imersas na iluminação precária de um abajur. O homem em pé, com os cabelos negros jogados sobre os olhos e a barba por fazer, mantinha um ar severo que não lhe era próprio, embora a expressão o fosse. Sentado à sua frente, em uma poltrona carcomida, o jovem o observava irritado. As sombras descreviam a cena em dimensões gigantescas, sobre quadros e fotos desbotadas fixados à parede. O silêncio foi quebrado de maneira súbita:
- Enquanto estiver morando comigo, quero que me respeite.
- Desculpe...
- Sei que é difícil se acostumar com esse lugar e que não há muito que fazer por aqui, mas garanto que ouvir esses discursos é uma grande perda de tempo.
- Mas você tem que concordar que a polícia não descobriu mais nada sobre o desaparecimento dela...
- A polícia, certamente, sabe mais do que divulga e, quanto a isso, não podemos fazer nada.
- Como assim? Ela é sua amiga. Foi você quem chegou a sua casa e percebeu que havia algo errado quando ela não atendeu a porta. Você, com certeza, é a pessoa que mais sabe sobre o caso, não pode querer se abster desse jeito!
- Tudo o que sei é o que relatei à polícia: tínhamos combinado de nos encontrar e ela não estava em casa quando fui buscá-la. Apenas isso.
- Eu a conheci no dia em que cheguei, vi o seu entusiasmo enquanto me contava sobre seus projetos, sobre a escola em que lecionava e sobre como ela se mudou para a cidade. Qualquer um que a visse saberia que ela não abandonaria tudo dessa forma, e você a conhecia, sabe que deve ter alguém por trás disso!
- Disse bem: a conheceu quando veio para cá, isso há três semanas. Então não pense que pode julgar alguém ou alguma coisa daqui! Você não a conhece e não me conhece, entendeu?
A luz piscou. O fio envelhecido do abajur causava isso. A tensão que pairou no ar foi logo diluída quando o som de passos preencheu os cantos vazios da sala. As sombras na parede denunciavam um homem de cabelos relativamente longos andando pela casa em suas atividades normais, e outro sentado, imóvel e silencioso. Senão frequentes, conversas naquele tom não eram incomuns. E as palavras ricocheteavam na mente do garoto, que se vira obrigado a morar com o amigo de infância do pai, enquanto este viajava a negócios para a Holanda.Voltar, voltar... desejo intenso, ávido e diário, que gritava surdamente em seu peito, mas não naquele momento. Ele queria ficar, pois sabia que havia algo para ser feito ali, no inverno daquela cidade pequena e interiorana, nem que fosse apenas descobrir os mistérios guardados nos olhos, sempre escondidos pelo cabelo, daquele homem que o acomodara em sua casa.
Levantou-se ao som da água batendo no fundo da pia. A louça estava sendo lavada. E o cheiro de café invadiu seu quarto antes que pudesse fechar a porta. Aquele homem passaria mais uma noite acordado, e ele teria que ir para a escola no outro dia pela manhã.
Já mencionei como amo os textos que você escreve? Quando você lançar o seu livro eu quero uma versão autografada *.*
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