Há um texto pronto para a ocasião, mas, ao contrário dos outros dias, hoje vou preferir o silêncio.
Se algo ainda realmente importa, já foi dito. Verbalmente, eu sei: os textos carregam muito pouco de minha história dos últimos dois anos. Todavia, agora é só a brisa levando consigo uma folha seca. Calmaria.
A despedida é, sobretudo, triste, pois nenhuma partida é feliz.
Então que a folha encontre seu repouso sobre solo infértil, para fertilizá-lo, e que, ao meu corpo curvar-se em agradecimento, uma palavra sussurrada seja ouvida, pois é assim que eu digo "adeus".
sexta-feira, 16 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Bagatela
Estou fraca e cansada. Embora sinta uma necessidade absurda de me expressar, tenho dificuldade para encontrar o que dizer, as poucas palavras que consigo formar são intrincadas e pouco lógicas. Sinto um peso denso dentro de mim que se altera com um completo vazio. O ar foi sugado de mim, levando consigo grande parte da minha força. Estou fraca e já quase sem esperança...
"Havia um brilho diferente em seu olhar e eu soube, naquele instante, que ela sentia medo. Percorrêramos os quatro cantos da cidade durante as horas da madrugada e naquele momento - a poucos minutos do amanhecer - escondidos no sótão de uma casa abandonada, sentíamos o peso do fracasso. Nossos esforços não foram suficientes. Sentados no chão empoeirado, ouvíamos a chuva bater com força nas telhas sobre nossas cabeças. Antes de tudo, era uma chuva triste.
Ela, então, abriu a mão e deixou escapar por entre seus dedos um objeto metálico, que se chocou com a madeira em um tilintar agudo, porém abafado: o som da esperança. Pude ver, por meio da iluminação fraca de uma lanterna, uma chave pesada, que reluzia um brilho embaçado. Sabia do que se tratava e o que ela esperava de mim. Assenti com a cabeça, apanhando a chave. Apressado, dirigi-me à saída do sótão, procurando com os pés a escada que me levaria ao andar de baixo, apoiando-me nela desastradamente até conseguir descer. Chegando ao chão, ouvi batidas violentas na porta da frente. Haviam nos encontrado..."
"Havia um brilho diferente em seu olhar e eu soube, naquele instante, que ela sentia medo. Percorrêramos os quatro cantos da cidade durante as horas da madrugada e naquele momento - a poucos minutos do amanhecer - escondidos no sótão de uma casa abandonada, sentíamos o peso do fracasso. Nossos esforços não foram suficientes. Sentados no chão empoeirado, ouvíamos a chuva bater com força nas telhas sobre nossas cabeças. Antes de tudo, era uma chuva triste.
Ela, então, abriu a mão e deixou escapar por entre seus dedos um objeto metálico, que se chocou com a madeira em um tilintar agudo, porém abafado: o som da esperança. Pude ver, por meio da iluminação fraca de uma lanterna, uma chave pesada, que reluzia um brilho embaçado. Sabia do que se tratava e o que ela esperava de mim. Assenti com a cabeça, apanhando a chave. Apressado, dirigi-me à saída do sótão, procurando com os pés a escada que me levaria ao andar de baixo, apoiando-me nela desastradamente até conseguir descer. Chegando ao chão, ouvi batidas violentas na porta da frente. Haviam nos encontrado..."
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Abraço ao passado
"Há cerca de um mês, contaram-me sobre um senhor que, tendo sofrido com uma doença nas vias respiratórias (creio que um câncer), tinha grande dificuldade para falar. Na falta da expressão oral, ele levava consigo diversos papeizinhos com piadas que distribuía para as pessoas ao seu redor. 'Que graça', não? Bem... para mim, esta é uma das formas mais simples de fazer a diferença. Mesmo sem conhecê-lo, sou sua admiradora..."
Inquietude. A escuridão envolvia seu corpo, o chão recolhia a água que lhe escapava pelos olhos. Por fora, braços e pernas rígidos, mãos que seguravam com força a cabeça, um tremor periódico. Por dentro, angústia, algo praticamente palpável que buscava uma fuga, rasgando-lhe o coração, embrulhando-lhe o estômago. Era uma garota de olhos inchados e corpo encolhido. O que sentia não era capaz de dar a ela movimento, apenas de corroê-la lentamente, arranhando a sua alma e abrindo fendas na sua esperança. O dia já tinha exaurido suas forças. Estava cansada, mas a cabeça continuava a dar voltas, percorrendo os caminhos mais estreitos e desgastantes de sua memória, colocando diante dos seus olhos o que ela não queria lembrar. Contudo, lembrava. Lembrava de um sorriso e de um abraço, misturados a despedida e a pedaços quebrados de um copo. Uma corda, um beijo roubado e frases difíceis de se ouvir completavam o quadro confuso. O ar parecia se recusar a entrar em seus pulmões e ela aspirava com força. Aguardava a chegada de um dia e desejava as malas feitas: uma fuga. Enquanto isso, esperava que o caminhar das horas a adormecesse para que os relâmpagos de imagens e sons de sua mente a deixassem só, abraçada pela densidade das sombras e reconfortada pela frieza do chão. Tudo em um completo silêncio.
"...Pois a beleza está em fazer rir aqueles que não esperam pelo riso."
Inquietude. A escuridão envolvia seu corpo, o chão recolhia a água que lhe escapava pelos olhos. Por fora, braços e pernas rígidos, mãos que seguravam com força a cabeça, um tremor periódico. Por dentro, angústia, algo praticamente palpável que buscava uma fuga, rasgando-lhe o coração, embrulhando-lhe o estômago. Era uma garota de olhos inchados e corpo encolhido. O que sentia não era capaz de dar a ela movimento, apenas de corroê-la lentamente, arranhando a sua alma e abrindo fendas na sua esperança. O dia já tinha exaurido suas forças. Estava cansada, mas a cabeça continuava a dar voltas, percorrendo os caminhos mais estreitos e desgastantes de sua memória, colocando diante dos seus olhos o que ela não queria lembrar. Contudo, lembrava. Lembrava de um sorriso e de um abraço, misturados a despedida e a pedaços quebrados de um copo. Uma corda, um beijo roubado e frases difíceis de se ouvir completavam o quadro confuso. O ar parecia se recusar a entrar em seus pulmões e ela aspirava com força. Aguardava a chegada de um dia e desejava as malas feitas: uma fuga. Enquanto isso, esperava que o caminhar das horas a adormecesse para que os relâmpagos de imagens e sons de sua mente a deixassem só, abraçada pela densidade das sombras e reconfortada pela frieza do chão. Tudo em um completo silêncio.
"...Pois a beleza está em fazer rir aqueles que não esperam pelo riso."
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