Estou fraca e cansada. Embora sinta uma necessidade absurda de me expressar, tenho dificuldade para encontrar o que dizer, as poucas palavras que consigo formar são intrincadas e pouco lógicas. Sinto um peso denso dentro de mim que se altera com um completo vazio. O ar foi sugado de mim, levando consigo grande parte da minha força. Estou fraca e já quase sem esperança...
"Havia um brilho diferente em seu olhar e eu soube, naquele instante, que ela sentia medo. Percorrêramos os quatro cantos da cidade durante as horas da madrugada e naquele momento - a poucos minutos do amanhecer - escondidos no sótão de uma casa abandonada, sentíamos o peso do fracasso. Nossos esforços não foram suficientes. Sentados no chão empoeirado, ouvíamos a chuva bater com força nas telhas sobre nossas cabeças. Antes de tudo, era uma chuva triste.
Ela, então, abriu a mão e deixou escapar por entre seus dedos um objeto metálico, que se chocou com a madeira em um tilintar agudo, porém abafado: o som da esperança. Pude ver, por meio da iluminação fraca de uma lanterna, uma chave pesada, que reluzia um brilho embaçado. Sabia do que se tratava e o que ela esperava de mim. Assenti com a cabeça, apanhando a chave. Apressado, dirigi-me à saída do sótão, procurando com os pés a escada que me levaria ao andar de baixo, apoiando-me nela desastradamente até conseguir descer. Chegando ao chão, ouvi batidas violentas na porta da frente. Haviam nos encontrado..."
Eu simplesmente amo sua narrativa.
ResponderExcluirObrigada pelos seus comentários sempre tão doces, Mah!
ResponderExcluir