sábado, 10 de julho de 2010

Bagatela

Estou fraca e cansada. Embora sinta uma necessidade absurda de me expressar, tenho dificuldade para encontrar o que dizer, as poucas palavras que consigo formar são intrincadas e pouco lógicas. Sinto um peso denso dentro de mim que se altera com um completo vazio. O ar foi sugado de mim, levando consigo grande parte da minha força. Estou fraca e já quase sem esperança...



"Havia um brilho diferente em seu olhar e eu soube, naquele instante, que ela sentia medo. Percorrêramos os quatro cantos da cidade durante as horas da madrugada e naquele momento - a poucos minutos do amanhecer - escondidos no sótão de uma casa abandonada, sentíamos o peso do fracasso. Nossos esforços não foram suficientes. Sentados no chão empoeirado, ouvíamos a chuva bater com força nas telhas sobre nossas cabeças. Antes de tudo, era uma chuva triste.
Ela, então, abriu a mão e deixou escapar por entre seus dedos um objeto metálico, que se chocou com a madeira em um tilintar agudo, porém abafado: o som da esperança. Pude ver, por meio da iluminação fraca de uma lanterna, uma chave pesada, que reluzia um brilho embaçado. Sabia do que se tratava e o que ela esperava de mim. Assenti com a cabeça, apanhando a chave. Apressado, dirigi-me à saída do sótão, procurando com os pés a escada que me levaria ao andar de baixo, apoiando-me nela desastradamente até conseguir descer. Chegando ao chão, ouvi batidas violentas na porta da frente. Haviam nos encontrado..."

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