domingo, 26 de setembro de 2010

Hoje, Caetano cantou

Hoje, Caetano cantou. Não ao vivo, mas por meio de caixas de som. Ainda sim, era seu canto, sua voz que ecoava pelo ar acompanhado de uma melodia serena, pura e intensa. Ao som da música, um coração palpitando com calma, sentindo, a cada pulsar, a vida, o sangue correndo. O tímpano vibrando, fazendo acordes transformarem-se em pensamentos, dando à audição e à imaginação uma forma só: indefinível, mas perfeita. Aos poucos, o tato em suas primeiras sensações - um recém nascido a descobrir a textura de tudo ao seu redor, sentindo a friagem do vento que bate em sua pele. A pele que treme, o pulmão que se enche... a vida que existe. E, então, surgem as flores: as que não existem, mas preenchem as narinas com o seu perfume e deslumbram os olhos com suas cores. E quando o corpo ganha tal leveza diante das sensações, a canção o envolve em um abraço reconfortante. Um momento infindável. Ah, a música!
E, se a vida tímida, ainda flor pequena que desabrocha em meio ao solo árido, renova-se e reencontra o ser inerte, é porque um dia houve um riso, houve, enfim, uma felicidade. E, se não fosse dia, perder-me-ia admirando a lua, para encontrar aqueles que amo longe dos efeitos do tempo, nas condições sublimes em que a música se pronuncia e para a qual nos transporta. Então, sem que houvesse som ao meu redor, sei que ouviria Caetano cantando dentro de mim, pois foi sobre a lua que um dia tu também pousaras os olhos.

Um comentário:

  1. Realmente me fez viajar devagar. Me fez sentir o cheiro, o som, a palavra. Num pulso de uma música calma e intensa. Como escreves bem, nina! De repente, já não estava eu aqui, estava flutuando. Estranho porque suas palavras causaram uma sensação diferente...mas o que posso dizer é que ela está permeiando minha pobre caixa toráxica, que de uns tempos para cá, vem sofrendo grandes agitações! E não, não é felicidade. Acho que é calma, serenidade. Isso! Olha só, essa é uma rara vez em que pude dizer o que sinto exatamente. E com uma palavra só! Serenidade. Calma. Foi uma onda, de certo. Me relaxou, e depois de me acalmar, foi me levando, as sensações. Subindo, descendo. E a brisa massageando meu rosto. Muito bonito.

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