Um trecho perdido, mas que, entre se perder em um tumulto de arquivos desordenados e se perder aqui, prefiro que seja aqui:
"Talvez aquela fosse uma maneira de agradecer ou apenas um método de pedir ajuda. Seja como for, não há mais tempo para arrependimentos: a carta guardada em um envelope pardo, neste tempo, já está cercada por centenas de outras correspondências das mais diversas formas e tamanhos. Com destino distante, é possível que minhas palavras demorem a chegar, mas tenho todo o tempo do mundo na espera de uma resposta e, assim, há uma chance de voltar a sorrir novamente... Então espero, observando a fina chuva de dezembro molhar a copa das árvores ao longo da rua, em uma reflexão pouco precisa, mas sincera.
Certas buscas pessoais começam com perguntas, outras, com respostas. Tudo em uma oscilação complementar entre os que procuram desvendar a vida na sede de suas curiosidades e questionamentos, e entre os que traçam seus objetivos sobre certezas voláteis, com a convicção de que se tornará realidade tudo o que planejam, como a casa tão desejada ou o casamento perfeito. Entre duas alternativas, optei encarar o mundo de uma terceira forma: o nada. Sem perguntas específicas, sem respostas promissoras, sem, ao menos, qualquer sentimento explicável ou traduzível. Era apenas um grande vazio com medo das eventuais dúvidas e, mais ainda, das possíveis respostas. E era esse medo que preenchia meus segundos e me ensinava o desencanto, a frieza das ações, a constante vontade de chorar e a aspereza a muitas pessoas..."
Há uma falta tão grande aqui.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Abstrata aridez
Resto de carniça sobre a secura dura do chão. Ossos espalhados ao redor, cantando o som da morte. Uma única poça d'água ao longo da extensão desértica, o rosto de um homem refletido sobre o barro. Água suja, provavelmente de algum viajante que a jogara ali por estar contaminada: quase todas as raras reservas fluviais das redondezas estavam naquele estado.
Seu rosto barbado e com sulcos profundos, resultado de uma erosão que lhe atingia a pele, se contorcia em um grito franzino, ralo, anêmico. Suas cordas vocais já não respondiam como outrora, estavam mudas em respeito à morte que as cercavam. Contudo, sua expressão ainda era viva, e esta urrava, soltando todo o seu fôlego, impedido de sair, em contorções de dor. Pura dor, ódio e desespero. Ele morreria tal como nascera: fraco, triste, seco, morto.
Os olhos, no brilho da água, fecharam-se. A face colidiu com a umidade e o solo rígido, fazendo gotas respingarem em seu cabelo desgrenhado, acompanhadas do último som que ouviu em vida: o da sua face colidindo com a terra. Desacordado, não sentia o cianureto percorrendo suas veias.
Seu rosto barbado e com sulcos profundos, resultado de uma erosão que lhe atingia a pele, se contorcia em um grito franzino, ralo, anêmico. Suas cordas vocais já não respondiam como outrora, estavam mudas em respeito à morte que as cercavam. Contudo, sua expressão ainda era viva, e esta urrava, soltando todo o seu fôlego, impedido de sair, em contorções de dor. Pura dor, ódio e desespero. Ele morreria tal como nascera: fraco, triste, seco, morto.
Os olhos, no brilho da água, fecharam-se. A face colidiu com a umidade e o solo rígido, fazendo gotas respingarem em seu cabelo desgrenhado, acompanhadas do último som que ouviu em vida: o da sua face colidindo com a terra. Desacordado, não sentia o cianureto percorrendo suas veias.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Tão ácido
Algo inédito entre paredes velhas. Rostos amargurados, sonhos desfeitos e um ciclo lunar a espreitar as escolhas e erros de gente feita, que já aprendeu a andar, mas não sabe como caminhar.
Coesão, assiduidade e platelmintos. Com certeza eles não aprenderam isso.
Resta apenas a vida, convidativa, porém perigosa. As portas estão abertas e as janelas escancaradas, basta seguir em frente e caminhar sob a chuva ácida da primavera. Seus respingos são suficientes para corroer as roupas, e, quando completa, o interior e as certezas. Tudo ou nada. É a liberdade!
Onde estão as chances de errar? Os dados estão rolando, os resultados são previsíveis: são viciados, são meus. Quando eles pararem, terei que ir, enfrentar o ácido, o gosto azedo e a sensação corrosiva. E, na química da minha essência, resta a incerteza. As decisões se fazem cobradas, os minutos pontuam as horas, e só vai me restar andar e transpor as portas. Meu mundo ácido.
Eu tenho planos para o futuro, só não me pergunte quais.
Coesão, assiduidade e platelmintos. Com certeza eles não aprenderam isso.
Resta apenas a vida, convidativa, porém perigosa. As portas estão abertas e as janelas escancaradas, basta seguir em frente e caminhar sob a chuva ácida da primavera. Seus respingos são suficientes para corroer as roupas, e, quando completa, o interior e as certezas. Tudo ou nada. É a liberdade!
Onde estão as chances de errar? Os dados estão rolando, os resultados são previsíveis: são viciados, são meus. Quando eles pararem, terei que ir, enfrentar o ácido, o gosto azedo e a sensação corrosiva. E, na química da minha essência, resta a incerteza. As decisões se fazem cobradas, os minutos pontuam as horas, e só vai me restar andar e transpor as portas. Meu mundo ácido.
Eu tenho planos para o futuro, só não me pergunte quais.
sábado, 15 de agosto de 2009
Flores?
Palavras, palavras... e a vontade de escrever, que continua aqui comigo.
Pela primeira vez, não importa o significado ou a razão, basta expressar algo, ser eu mesma na formação de cada sílaba, pois é entre textos e desenhos que me encontro plenamente.
Então aqui está, puro e simples:
“Impossível explicar a origem dessas palavras às 2 da manhã, quando estou parada olhando o céu, esperando a chuva de meteoros que sei que não conseguirei ver. Estranho seria tentar explicar o inexplicável, mas há uma lua linda suspensa entre as estralas, que brilha viva e preenche cada canto com uma imensa paz, tornando cada respiro uma sensação de encantamento, como se o ar pudesse estimular um sexto sentido indescritível. E, se o concreto desgastado e a desordem ao meu redor ganham ares belos no frio desta noite, meus pensamentos direcionam-se para um único alguém. Estranho seria, agora, não pensar em você.”
13.08.09
“Como se valsasse, meus pés saem do chão em um movimento lento, porém intenso, sendo conduzida pelo sonho do momento, deixando cada nota da música ressoar dentro de mim, ritmando meu coração. São alguns minutos vivendo na sintonia perfeita, e, findada a dança, levo para o resto do dia cinzento borrões e traços em azul. Há cor em meio a tantas sombras. A valsa retorna, dia após dia, fazendo a vida ser, enfim, sentida, e o perfume das rosas possuírem significado novamente. Passo após passo, e só consigo pensar em como quero que seja eterno, embora saiba que o tempo não permitiria. Por enquanto a valsa continua, então me conduza e não deixe a música parar. Não hoje.”
15.08.09
“Rostos, olhos e palavras. O mundo resmunga pelo atraso, pelo cansaço, pelo medo e pelo fracasso. A vida não é mais admirada pelo simples fato de que não é vivida, apenas suportada. Rotina, frio, responsabilidades, mas hoje ouvi pássaros cantando e vi nuvens douradas a nos espiar. Isso, por si só, bastaria, no entanto, ainda havia música. Aquela que ouço surdamente em minha cabeça, sendo cantada por olhos, seus olhos. A minha música. E houve, por um momento, a perfeição.”
15.08.09
E, talvez, haja flores pelo caminho...
Pela primeira vez, não importa o significado ou a razão, basta expressar algo, ser eu mesma na formação de cada sílaba, pois é entre textos e desenhos que me encontro plenamente.
Então aqui está, puro e simples:
“Impossível explicar a origem dessas palavras às 2 da manhã, quando estou parada olhando o céu, esperando a chuva de meteoros que sei que não conseguirei ver. Estranho seria tentar explicar o inexplicável, mas há uma lua linda suspensa entre as estralas, que brilha viva e preenche cada canto com uma imensa paz, tornando cada respiro uma sensação de encantamento, como se o ar pudesse estimular um sexto sentido indescritível. E, se o concreto desgastado e a desordem ao meu redor ganham ares belos no frio desta noite, meus pensamentos direcionam-se para um único alguém. Estranho seria, agora, não pensar em você.”
13.08.09
“Como se valsasse, meus pés saem do chão em um movimento lento, porém intenso, sendo conduzida pelo sonho do momento, deixando cada nota da música ressoar dentro de mim, ritmando meu coração. São alguns minutos vivendo na sintonia perfeita, e, findada a dança, levo para o resto do dia cinzento borrões e traços em azul. Há cor em meio a tantas sombras. A valsa retorna, dia após dia, fazendo a vida ser, enfim, sentida, e o perfume das rosas possuírem significado novamente. Passo após passo, e só consigo pensar em como quero que seja eterno, embora saiba que o tempo não permitiria. Por enquanto a valsa continua, então me conduza e não deixe a música parar. Não hoje.”
15.08.09
“Rostos, olhos e palavras. O mundo resmunga pelo atraso, pelo cansaço, pelo medo e pelo fracasso. A vida não é mais admirada pelo simples fato de que não é vivida, apenas suportada. Rotina, frio, responsabilidades, mas hoje ouvi pássaros cantando e vi nuvens douradas a nos espiar. Isso, por si só, bastaria, no entanto, ainda havia música. Aquela que ouço surdamente em minha cabeça, sendo cantada por olhos, seus olhos. A minha música. E houve, por um momento, a perfeição.”
15.08.09
E, talvez, haja flores pelo caminho...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Fatos
Estranha dor que dilacera o peito. Estranho sentimento que não preenche, apenas congela. Estranho mundo efêmero que não permite que nada seja nosso. Estanha falta que atropela os sorrisos. Estranhas perguntas sem respostas, que geram remorso e raiva. Estranhas crenças que se confundem entre os minutos e as horas. Estranha noite sem dormir, incompleta, amarga. Estranha maneira de continuar...
As gotas da chuva faziam nascer flores sobre solo no sonho que ele tivera. E ele o viu sorrindo, feliz, cercado de vida. “Vem ver”. Era lindo.
Ouvir o que contavam, sorrindo com a esperança e evitando o choro da falta. “E a mão não sumiu”. “Acha que era ele?”. “Acho”.
E o sono desfigurava, criava, imaginava. Por fim, permitiu a ilusão de um último suspiro. Ah, como eu queria que fosse real, mas que não fosse o último.
E, agora, eu queria você aqui para me dizer que está tudo bem. Porém, sei que não está.
Sinto sua falta.
As gotas da chuva faziam nascer flores sobre solo no sonho que ele tivera. E ele o viu sorrindo, feliz, cercado de vida. “Vem ver”. Era lindo.
Ouvir o que contavam, sorrindo com a esperança e evitando o choro da falta. “E a mão não sumiu”. “Acha que era ele?”. “Acho”.
E o sono desfigurava, criava, imaginava. Por fim, permitiu a ilusão de um último suspiro. Ah, como eu queria que fosse real, mas que não fosse o último.
E, agora, eu queria você aqui para me dizer que está tudo bem. Porém, sei que não está.
Sinto sua falta.
domingo, 2 de agosto de 2009
Mais uma vez...
E que a história ganhe vida!
_____________________
Hoje, sorrio também pelas lágrimas que derramei, pois cada uma significou uma lição aprendida. E você sorri pelo que?
_____________________
Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 2
/ Capítulo I
A sala, com seus móveis antigos de madeira, guardava as duas figuras peculiares e imóveis imersas na iluminação precária de um abajur. O homem em pé, com os cabelos negros jogados sobre os olhos e a barba por fazer, mantinha um ar severo que não lhe era próprio, embora a expressão o fosse. Sentado à sua frente, em uma poltrona carcomida, o jovem o observava irritado. As sombras descreviam a cena em dimensões gigantescas, sobre quadros e fotos desbotadas fixados à parede. O silêncio foi quebrado de maneira súbita:
- Enquanto estiver morando comigo, quero que me respeite.
- Desculpe...
- Sei que é difícil se acostumar com esse lugar e que não há muito que fazer por aqui, mas garanto que ouvir esses discursos é uma grande perda de tempo.
- Mas você tem que concordar que a polícia não descobriu mais nada sobre o desaparecimento dela...
- A polícia, certamente, sabe mais do que divulga e, quanto a isso, não podemos fazer nada.
- Como assim? Ela é sua amiga. Foi você quem chegou a sua casa e percebeu que havia algo errado quando ela não atendeu a porta. Você, com certeza, é a pessoa que mais sabe sobre o caso, não pode querer se abster desse jeito!
- Tudo o que sei é o que relatei à polícia: tínhamos combinado de nos encontrar e ela não estava em casa quando fui buscá-la. Apenas isso.
- Eu a conheci no dia em que cheguei, vi o seu entusiasmo enquanto me contava sobre seus projetos, sobre a escola em que lecionava e sobre como ela se mudou para a cidade. Qualquer um que a visse saberia que ela não abandonaria tudo dessa forma, e você a conhecia, sabe que deve ter alguém por trás disso!
- Disse bem: a conheceu quando veio para cá, isso há três semanas. Então não pense que pode julgar alguém ou alguma coisa daqui! Você não a conhece e não me conhece, entendeu?
A luz piscou. O fio envelhecido do abajur causava isso. A tensão que pairou no ar foi logo diluída quando o som de passos preencheu os cantos vazios da sala. As sombras na parede denunciavam um homem de cabelos relativamente longos andando pela casa em suas atividades normais, e outro sentado, imóvel e silencioso. Senão frequentes, conversas naquele tom não eram incomuns. E as palavras ricocheteavam na mente do garoto, que se vira obrigado a morar com o amigo de infância do pai, enquanto este viajava a negócios para a Holanda.Voltar, voltar... desejo intenso, ávido e diário, que gritava surdamente em seu peito, mas não naquele momento. Ele queria ficar, pois sabia que havia algo para ser feito ali, no inverno daquela cidade pequena e interiorana, nem que fosse apenas descobrir os mistérios guardados nos olhos, sempre escondidos pelo cabelo, daquele homem que o acomodara em sua casa.
Levantou-se ao som da água batendo no fundo da pia. A louça estava sendo lavada. E o cheiro de café invadiu seu quarto antes que pudesse fechar a porta. Aquele homem passaria mais uma noite acordado, e ele teria que ir para a escola no outro dia pela manhã.
_____________________
Hoje, sorrio também pelas lágrimas que derramei, pois cada uma significou uma lição aprendida. E você sorri pelo que?
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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 2
/ Capítulo I
A sala, com seus móveis antigos de madeira, guardava as duas figuras peculiares e imóveis imersas na iluminação precária de um abajur. O homem em pé, com os cabelos negros jogados sobre os olhos e a barba por fazer, mantinha um ar severo que não lhe era próprio, embora a expressão o fosse. Sentado à sua frente, em uma poltrona carcomida, o jovem o observava irritado. As sombras descreviam a cena em dimensões gigantescas, sobre quadros e fotos desbotadas fixados à parede. O silêncio foi quebrado de maneira súbita:
- Enquanto estiver morando comigo, quero que me respeite.
- Desculpe...
- Sei que é difícil se acostumar com esse lugar e que não há muito que fazer por aqui, mas garanto que ouvir esses discursos é uma grande perda de tempo.
- Mas você tem que concordar que a polícia não descobriu mais nada sobre o desaparecimento dela...
- A polícia, certamente, sabe mais do que divulga e, quanto a isso, não podemos fazer nada.
- Como assim? Ela é sua amiga. Foi você quem chegou a sua casa e percebeu que havia algo errado quando ela não atendeu a porta. Você, com certeza, é a pessoa que mais sabe sobre o caso, não pode querer se abster desse jeito!
- Tudo o que sei é o que relatei à polícia: tínhamos combinado de nos encontrar e ela não estava em casa quando fui buscá-la. Apenas isso.
- Eu a conheci no dia em que cheguei, vi o seu entusiasmo enquanto me contava sobre seus projetos, sobre a escola em que lecionava e sobre como ela se mudou para a cidade. Qualquer um que a visse saberia que ela não abandonaria tudo dessa forma, e você a conhecia, sabe que deve ter alguém por trás disso!
- Disse bem: a conheceu quando veio para cá, isso há três semanas. Então não pense que pode julgar alguém ou alguma coisa daqui! Você não a conhece e não me conhece, entendeu?
A luz piscou. O fio envelhecido do abajur causava isso. A tensão que pairou no ar foi logo diluída quando o som de passos preencheu os cantos vazios da sala. As sombras na parede denunciavam um homem de cabelos relativamente longos andando pela casa em suas atividades normais, e outro sentado, imóvel e silencioso. Senão frequentes, conversas naquele tom não eram incomuns. E as palavras ricocheteavam na mente do garoto, que se vira obrigado a morar com o amigo de infância do pai, enquanto este viajava a negócios para a Holanda.Voltar, voltar... desejo intenso, ávido e diário, que gritava surdamente em seu peito, mas não naquele momento. Ele queria ficar, pois sabia que havia algo para ser feito ali, no inverno daquela cidade pequena e interiorana, nem que fosse apenas descobrir os mistérios guardados nos olhos, sempre escondidos pelo cabelo, daquele homem que o acomodara em sua casa.
Levantou-se ao som da água batendo no fundo da pia. A louça estava sendo lavada. E o cheiro de café invadiu seu quarto antes que pudesse fechar a porta. Aquele homem passaria mais uma noite acordado, e ele teria que ir para a escola no outro dia pela manhã.
domingo, 26 de julho de 2009
Minha obscura subjetividade
“Deixe os dedos deslizarem o lápis sobre o papel como desejarem. Deixe-os traçar as curvas de seu pensamento e, risco após risco, não os deixe parar. Termine e não discorra sobre o que foi escrito, apenas leia e chore, se quiser...”
Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.
“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”
Não é uma sensação de vazio ou tristeza, apenas uma angústia profunda. Razão? A menos lógica possível.
E minhas tentativas de avaliação da minha própria vida de maneira imparcial têm sido um fracasso... O que eu fui durante esse tempo todo? Algo de que tenho vergonha.
E as coisas boas marcam um riso bobo nos lábios e a saudade no peito, porque são fases, que ficam paradas junto com o tempo que não volta mais. E tudo só faz dilacerar-me, por reviver as dores de certos momentos e por não conseguir transformar o passado que me alegrou em “agora”. E é por isso que conseguir me reencontrar dentro de mim mesma e dos meus sentimentos tem sido cada vez mais difícil, doloroso e vão. Não posso ser mais minha analista, não neste instante, porque já não sou capaz de encontrar as respostas certas para as perguntas erradas. Fracasso meu, apenas meu, quando o que resta é esperar que as lembranças percam a tenacidade e que o futuro aplaque o medo de viver. Medo este que entra em meus pulmões diariamente.
E essa angústia, tão comum, parece não condizer com a beleza do momento: não é perfeito, mas doce. Meses na escuridão e, pela primeira vez, a luz retorna viva, completa, inigualável. Contudo, fraca. Desfigurando-se a cada ferida do passado que ganha vida em minha mente. Quando isso finalmente acabará?
Não busco uma nova fuga, já tive a minha, curta e talvez insuficiente, mas agora é hora de erguer a cabeça e enfrentar o que for, sem me esconder atrás de uma contagem de dias, pois sinto, como nunca, que essa vida é minha e que as lições que ela reserva não serviriam para outra pessoa senão para mim. Talvez falte apenas coragem ou apenas algo que me complete. Talvez falte a mim mesma. Por enquanto, só desfruto de uma certeza: o meu pior inimigo é o meu próprio pensamento.
“... E não se esqueça de que é lindo, pois é seu.”
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Porque sempre há um começo...
... mas haveria um fim?
_____________________
O fascínio de escrever é, depois de tempos, encontrar um texto seu, ler e dizer: “que bonito”.
_____________________
Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 1
/ Capítulo I
O desaparecimento de Ema Watson continua sob investigação. A polícia recusa retratar-se até possuir mais detalhes sobre o ocorrido. Até o presente momento, a única informação disponível é de que, há uma semana, a jovem fora vista chegando a sua casa e horas depois, sem nenhum sinal de invasão do recinto ou de que ela tivesse abandonado definitivamente o lugar, o seu sumiço foi notado. A espera de 48 horas para que se possa prestar queixa frente à polícia pode ser umas das causas do fracasso das investigações. Isso só prova como a eficiência da...
- Desligue isso.
... é contestável e como os responsáveis pela segurança pública...
- Já mandei desligar.
- É sobre Ema Watson...
... de garantir a proteção e como são uma decepção perante...
- É só um bando de sensacionalistas que criticam o trabalho dos outros e falam o que não sabem! Estou farto de ouvir isso!
... e é devido a isso que a criminalidade só vem aumentando nos últimos...
- Desligue, Pietro!
... e como Ema Watson foi vítima, todos nós podemos sofrer os...
- Será que até isso eu tenho que fazer?
O rádio calou-se. Por instantes frios eles se entreolharam sem dizer palavra.
Possivelmente, continua...
_____________________
O fascínio de escrever é, depois de tempos, encontrar um texto seu, ler e dizer: “que bonito”.
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Sobre um sonho e um guarda-chuva, pela falta de um título.
Parte 1
/ Capítulo I
O desaparecimento de Ema Watson continua sob investigação. A polícia recusa retratar-se até possuir mais detalhes sobre o ocorrido. Até o presente momento, a única informação disponível é de que, há uma semana, a jovem fora vista chegando a sua casa e horas depois, sem nenhum sinal de invasão do recinto ou de que ela tivesse abandonado definitivamente o lugar, o seu sumiço foi notado. A espera de 48 horas para que se possa prestar queixa frente à polícia pode ser umas das causas do fracasso das investigações. Isso só prova como a eficiência da...
- Desligue isso.
... é contestável e como os responsáveis pela segurança pública...
- Já mandei desligar.
- É sobre Ema Watson...
... de garantir a proteção e como são uma decepção perante...
- É só um bando de sensacionalistas que criticam o trabalho dos outros e falam o que não sabem! Estou farto de ouvir isso!
... e é devido a isso que a criminalidade só vem aumentando nos últimos...
- Desligue, Pietro!
... e como Ema Watson foi vítima, todos nós podemos sofrer os...
- Será que até isso eu tenho que fazer?
O rádio calou-se. Por instantes frios eles se entreolharam sem dizer palavra.
Possivelmente, continua...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Sobre um texto e uma amizade
Ela sentia como se alguém segurasse sua mão e como se, pela primeira vez, fosse compreendida. Sua mão, contudo, repousava fria sobre a mesa. Não havia ninguém por perto, não fisicamente, mas aquelas palavras demonstravam que não estava mais só. O texto era doce, amigo, sincero. Narrava o que sentira constantemente nos últimos meses, o mundo ao qual tinha medo de voltar, o rosto que permanecera, por tanto tempo, borrado pela maquiagem diluída em lágrimas e, mais do que tudo, narrava o recomeço, a reação, a volta à vida e o abraço amigo. Abraço este que ela podia sentir apenas murmurando o que lia, que lhe dava forças pra continuar e que ela sabia que não a deixaria cair. Não dessa vez.
Ela passou a mão sobre o rosto. Não havia mais a maquiagem borrada, isso porque anjos sem asa não a deixaram chorar. E ao contrário, ela sorria, pois se sentia querida e reconhecia o valor da amizade.
O seu peito apenas doía por saber que, não importaria o que fizesse ou o que dissesse, jamais conseguiria retribuir aquele gesto. E como ela queria retribuir! Como ela queria parar o mundo, dar um longo abraço no anjo que a encantara com o seu texto e dizer que ficaria tudo bem, dizer que não havia o que temer, pois o futuro era lindo e reservaria boas surpresas. Mas ela não conhecia o que estava por vir para afirmar algo e a única coisa que poderia dizer é que estaria ali para ajudar aquele anjo a enfrentar qualquer tempestade, sempre pronta para segurá-lo, para não deixá-lo cair, ou para destruir qualquer obstáculo que surgisse.
E ela está lá, está de braços estendidos, oferecendo sua mão para ser segurada, esperando para ver o sorriso sincero daquele anjo, porque ele merece ser feliz. E ela permanecerá lá, sem mover nenhum músculo, enquanto ele não sorrir, porque ela o ama e ama todos os outros anjos. E esperar uma eternidade seria pouco se pudesse ver cada um deles sorrir novamente.
E ela espera e espera. Sempre pronta para oferecer um abraço e sua amizade. Espera...
Ela passou a mão sobre o rosto. Não havia mais a maquiagem borrada, isso porque anjos sem asa não a deixaram chorar. E ao contrário, ela sorria, pois se sentia querida e reconhecia o valor da amizade.
O seu peito apenas doía por saber que, não importaria o que fizesse ou o que dissesse, jamais conseguiria retribuir aquele gesto. E como ela queria retribuir! Como ela queria parar o mundo, dar um longo abraço no anjo que a encantara com o seu texto e dizer que ficaria tudo bem, dizer que não havia o que temer, pois o futuro era lindo e reservaria boas surpresas. Mas ela não conhecia o que estava por vir para afirmar algo e a única coisa que poderia dizer é que estaria ali para ajudar aquele anjo a enfrentar qualquer tempestade, sempre pronta para segurá-lo, para não deixá-lo cair, ou para destruir qualquer obstáculo que surgisse.
E ela está lá, está de braços estendidos, oferecendo sua mão para ser segurada, esperando para ver o sorriso sincero daquele anjo, porque ele merece ser feliz. E ela permanecerá lá, sem mover nenhum músculo, enquanto ele não sorrir, porque ela o ama e ama todos os outros anjos. E esperar uma eternidade seria pouco se pudesse ver cada um deles sorrir novamente.
E ela espera e espera. Sempre pronta para oferecer um abraço e sua amizade. Espera...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Um pouco mais?
Meses depois, e eu diria que tudo mudou. Tudo. E o que eu mais me pergunto é: como as coisas aconteceram? Foi tão rápido, que só me dei conta quando já estava lá; foi tão intenso, que devastou tudo o que eu conhecia e deixou apenas ruínas, esperando serem reconstruídas, mas nunca como um dia foram; foi tão assustador, que só sobrou o medo e a tristeza.
E, imersa na falta de sentido em que me encontro, um texto surge... vazio, sem conteúdo, mas, ainda sim, um texto.
Um pouco mais de mim? Quiçá, um pouco mais.
O ruído incessante ressoava, misturado ao som da chuva ácida palpitante sobre a lataria do veículo velho e ao estrondo do motor desgastado, preenchendo os bancos vazios e incutindo medo às almas despreparadas. Era um ruído tenso, produzido pelo atrito do pára-brisa com o vidro. Estes se raspavam fazendo-se ouvir um surdo choro metálico interrompido pelo silêncio da espera. Através dos vidros embaçados, a noite densa só permitia identificar um longínquo borrão no céu: a lua, cheia e atenta, que observava os dois únicos passageiros do ônibus que sacolejava por entre ruas estreitas.
Ele, sentado ao fundo, com o capuz da blusa cobrindo parte da face, mantinha os olhos fixos na senhora, de cabelos brancos e presos, sentada três bancos à sua frente. Estava frio e, a cada minuto decorrido, seu corpo congelava mais. Ele estava próximo ao fim, sabia disso, e, quando aquela senhora o olhasse com seus olhos vagos e seu sorriso doentio, não haveria alternativa a não ser fazer o que tanto fora evitado até então. Contudo, ela não olhava, apenas se mantinha imóvel, com a fronte voltada para uma das lâmpadas amarelas do interior do veículo, que quebravam a escuridão, mas instigavam mais medo, devido às sombras produzidas.
O ônibus foi reduzindo sua velocidade, seu destino se aproximava. Com o cabelo sobre o olho, esperando o momento certo, ele apertava com força a carta que mantinha guardada no bolso de seu agasalho, amassando o papel. “Eu preciso de você”, era o que estava escrito na última linha, com tinta azul em letra cursiva, trêmula e inclinada. Em pouco tempo, somado a todos os sons mórbidos do local, o agudo grito produzido pelo freio enferrujado fez-se audível; o cobrador acordou; o motorista tossiu; e a porta traseira se abriu. Ele saltou do veículo, com os olhos ainda fixos na mulher e, antes que pudesse mergulhar na noite chuvosa, viu sua cabeça se voltando lentamente para trás, mas não enxergou seus olhos.
Havia poucos ônibus parados no terminal e nenhuma pessoa fora deles. Ele abaixou a cabeça e apertou o passo, seguindo qualquer direção, sem rumo, mas sabendo aonde iria chegar.
Inútil.
E, imersa na falta de sentido em que me encontro, um texto surge... vazio, sem conteúdo, mas, ainda sim, um texto.
Um pouco mais de mim? Quiçá, um pouco mais.
O ruído incessante ressoava, misturado ao som da chuva ácida palpitante sobre a lataria do veículo velho e ao estrondo do motor desgastado, preenchendo os bancos vazios e incutindo medo às almas despreparadas. Era um ruído tenso, produzido pelo atrito do pára-brisa com o vidro. Estes se raspavam fazendo-se ouvir um surdo choro metálico interrompido pelo silêncio da espera. Através dos vidros embaçados, a noite densa só permitia identificar um longínquo borrão no céu: a lua, cheia e atenta, que observava os dois únicos passageiros do ônibus que sacolejava por entre ruas estreitas.
Ele, sentado ao fundo, com o capuz da blusa cobrindo parte da face, mantinha os olhos fixos na senhora, de cabelos brancos e presos, sentada três bancos à sua frente. Estava frio e, a cada minuto decorrido, seu corpo congelava mais. Ele estava próximo ao fim, sabia disso, e, quando aquela senhora o olhasse com seus olhos vagos e seu sorriso doentio, não haveria alternativa a não ser fazer o que tanto fora evitado até então. Contudo, ela não olhava, apenas se mantinha imóvel, com a fronte voltada para uma das lâmpadas amarelas do interior do veículo, que quebravam a escuridão, mas instigavam mais medo, devido às sombras produzidas.
O ônibus foi reduzindo sua velocidade, seu destino se aproximava. Com o cabelo sobre o olho, esperando o momento certo, ele apertava com força a carta que mantinha guardada no bolso de seu agasalho, amassando o papel. “Eu preciso de você”, era o que estava escrito na última linha, com tinta azul em letra cursiva, trêmula e inclinada. Em pouco tempo, somado a todos os sons mórbidos do local, o agudo grito produzido pelo freio enferrujado fez-se audível; o cobrador acordou; o motorista tossiu; e a porta traseira se abriu. Ele saltou do veículo, com os olhos ainda fixos na mulher e, antes que pudesse mergulhar na noite chuvosa, viu sua cabeça se voltando lentamente para trás, mas não enxergou seus olhos.
Havia poucos ônibus parados no terminal e nenhuma pessoa fora deles. Ele abaixou a cabeça e apertou o passo, seguindo qualquer direção, sem rumo, mas sabendo aonde iria chegar.
Inútil.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Para não ler
Porque são palavras agrupadas na mais completa falta de sentido.
“Não sei explicar, mas sinto-me, por vezes, vazia. E tudo o que eu faço é errado e errado. O que estou fazendo agora é errado. E só resta a esperança boba e infantil de que, se eu insistir, as coisas vão melhorar. Contudo elas não vão. Não agora. Não hoje. E eu não sei como parar.”
“Já olhou pela janela hoje? Não vi o sol, não vi o seu brilho. É tão escuro e frio aqui dentro. As flores estão morrendo, porque os vasos quebraram. E o relógio só mostra as horas pares.”
“Onde está a minha chance de recomeçar? Onde eu estou? E você? Os dias passam rápidos, sem sentido. Talvez seja tarde... é tarde. Eu vi seu rosto por trás de um vidro embaçado, ele parecia mais jovem e feliz. Então me diga, por onde tem andado?”
“Uma palavra, muitos significados. Medo... o que significa para você? E felicidade? Individualidade, este é o melhor termo, é o que traduz a nossas diferenças, nossos pontos de vista. Quantos significados a palavra ‘amadurecer’ pode ter? Arriscaria dizer que a mesma quantidade do número de pessoas vivas. E, dentre tantas e tantas palavras, um substantivo próprio não me deixa dormir. Uma única palavra dentre tantas... comum, comum.”
“Demoradamente, a caneta pousou sobre a mesa. Ela abandonou em um canto o pedaço de papel rasurado, não poderia continuar escrevendo. A caneta rolou e estalou em contato com o chão frio. E o papel recebera segredos demais em um único dia, por isso tremia, acompanhando a brisa que penetrava pela janela. Eram informações demais, densas, graves, particulares, e ele as contaria, uma a uma, para todos os olhos que estivessem interessados. Era responsabilidade demais para uma única folha velha de papel. E a caneta não desistiu de rolar pelo chão, dando continuidade à sua fuga.”
“Não era música, eram sentimentos. Não eram medos, eram pavores. Não eram risos de alegria, eram de desespero. Dor por descrença? Não... por esperança. Não eram adultos, ainda eram crianças. Não era o tempo, era a falta dele. Não era a certeza, mas a insegurança. Não era você, era eu.”
“E os olhos insistem em fechar-se. Sono, sonho, sonambulismo acordado. É cedo para parar e muito tarde para continuar. Soluções? Ela dorme e dorme, em um desvario desperto.”
Não avisei?
“Não sei explicar, mas sinto-me, por vezes, vazia. E tudo o que eu faço é errado e errado. O que estou fazendo agora é errado. E só resta a esperança boba e infantil de que, se eu insistir, as coisas vão melhorar. Contudo elas não vão. Não agora. Não hoje. E eu não sei como parar.”
“Já olhou pela janela hoje? Não vi o sol, não vi o seu brilho. É tão escuro e frio aqui dentro. As flores estão morrendo, porque os vasos quebraram. E o relógio só mostra as horas pares.”
“Onde está a minha chance de recomeçar? Onde eu estou? E você? Os dias passam rápidos, sem sentido. Talvez seja tarde... é tarde. Eu vi seu rosto por trás de um vidro embaçado, ele parecia mais jovem e feliz. Então me diga, por onde tem andado?”
“Uma palavra, muitos significados. Medo... o que significa para você? E felicidade? Individualidade, este é o melhor termo, é o que traduz a nossas diferenças, nossos pontos de vista. Quantos significados a palavra ‘amadurecer’ pode ter? Arriscaria dizer que a mesma quantidade do número de pessoas vivas. E, dentre tantas e tantas palavras, um substantivo próprio não me deixa dormir. Uma única palavra dentre tantas... comum, comum.”
“Demoradamente, a caneta pousou sobre a mesa. Ela abandonou em um canto o pedaço de papel rasurado, não poderia continuar escrevendo. A caneta rolou e estalou em contato com o chão frio. E o papel recebera segredos demais em um único dia, por isso tremia, acompanhando a brisa que penetrava pela janela. Eram informações demais, densas, graves, particulares, e ele as contaria, uma a uma, para todos os olhos que estivessem interessados. Era responsabilidade demais para uma única folha velha de papel. E a caneta não desistiu de rolar pelo chão, dando continuidade à sua fuga.”
“Não era música, eram sentimentos. Não eram medos, eram pavores. Não eram risos de alegria, eram de desespero. Dor por descrença? Não... por esperança. Não eram adultos, ainda eram crianças. Não era o tempo, era a falta dele. Não era a certeza, mas a insegurança. Não era você, era eu.”
“E os olhos insistem em fechar-se. Sono, sonho, sonambulismo acordado. É cedo para parar e muito tarde para continuar. Soluções? Ela dorme e dorme, em um desvario desperto.”
Não avisei?
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Vamos aos versos
Deixemos a história para depois, temos tempo...
Por enquanto, vamos aos versos.
Andando pela rua, já recebi muitos papéis, propagandas das mais diversas... dentistas precisando de pacientes, gente vendendo e comprando ouro e tudo o mais, além de, claro, promoções de celulares até escovas de dente, mas nunca recebi um versinho sequer. Nunca. Nenhum esmirradinho, franzino, nem torto, velho ou novo, sem rima, nem pobre de estilo. Nada.
Naturalmente se poderia perguntar por que sair por aí distribuindo versos, mas... por que não fazê-lo? Por que perder a chance de, com algumas palavras simples, colocar um sorriso no rosto de alguém, mesmo que seja de um desconhecido?
Bem... fica a idéia e que venham os versos. Deixo um desconcertado e mal arrumado, mas deixo.
Não se trata de uma rua, mas, talvez, haja alguém caridoso que diga: "é um bom começo".
Levanta, que o sonho acorda
É dia
Dança com o travesseiro
Não ria!
Pinta a alegria com sete cores
E os odores da manhã penetram pela janela
Lembranças, lembranças...
Vaso sem flor
Machucado sem dor
Lápis sem cor
E outrora não foi o que amanhã será!
Sou eu o meu medo maior
És tu tua toada toda
e também minha alegria boba
Dá-me a mão, pois o sonho vai
E o que fica somos nós
Sozinhos, sem pauta nem frauda
Sobram medos e palavras
Monta um verso e faz a rima
que eu te espero pro jantar
Talvez me atrase
e perca a frase
Pois quero antes conquistar o mundo
E rir dos erros que cometemos
Por enquanto, vamos aos versos.
Andando pela rua, já recebi muitos papéis, propagandas das mais diversas... dentistas precisando de pacientes, gente vendendo e comprando ouro e tudo o mais, além de, claro, promoções de celulares até escovas de dente, mas nunca recebi um versinho sequer. Nunca. Nenhum esmirradinho, franzino, nem torto, velho ou novo, sem rima, nem pobre de estilo. Nada.
Naturalmente se poderia perguntar por que sair por aí distribuindo versos, mas... por que não fazê-lo? Por que perder a chance de, com algumas palavras simples, colocar um sorriso no rosto de alguém, mesmo que seja de um desconhecido?
Bem... fica a idéia e que venham os versos. Deixo um desconcertado e mal arrumado, mas deixo.
Não se trata de uma rua, mas, talvez, haja alguém caridoso que diga: "é um bom começo".
Levanta, que o sonho acorda
É dia
Dança com o travesseiro
Não ria!
Pinta a alegria com sete cores
E os odores da manhã penetram pela janela
Lembranças, lembranças...
Vaso sem flor
Machucado sem dor
Lápis sem cor
E outrora não foi o que amanhã será!
Sou eu o meu medo maior
És tu tua toada toda
e também minha alegria boba
Dá-me a mão, pois o sonho vai
E o que fica somos nós
Sozinhos, sem pauta nem frauda
Sobram medos e palavras
Monta um verso e faz a rima
que eu te espero pro jantar
Talvez me atrase
e perca a frase
Pois quero antes conquistar o mundo
E rir dos erros que cometemos
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Palavras famosas?
Acredito que já está em tempo de escrever alguma coisa. Pretendo começar com algumas palavras. Sugiro "amizade".
Ah, amizade... Eu me pergunto o que seriam dos homens sem este sentimento, sem a possibilidade de confiança em alguém e da consciência que ao seu lado há quem esteja pronto para rir, chorar, cantar e gritar com você, além de compartilhar segredos não tão secretos, que todos os seus amigos conhecem. Concluo que não seriam nada. Nada senão um organismo sem vida e tedioso.
O tédio... Quem não o conhece? Já tive a chance de vê-lo de perto e, se fosse atribuir-lhe uma face, diria se tratar de uma caricatura peculiar: olhos mórbidos e inexpressivos, pele flácida e parada, sem rugas, porque as rugas são sinônimo de choro e riso. Enfim, pacato e imutável.
Mudança... Esta ocorre diariamente, sem que tenhamos a chance de vê-la ou percebê-la. Quando nos damos conta, é tarde. Porém, há momentos em que desejamos mudar, nos renovar, e sequer sabemos por onde começar. O que promove a mudança? Um ano novo seria capaz de renovar o ser que sou? Você seria capaz de mudar-me? Prefiro substituir tudo isso por uma única questão: somos nós que mudamos o mundo ou é ele que nos muda?
Essas não são palavras famosas, são apenas termos repletos de significado. Significam algo para mim e tenho certeza de que significam ou já significaram pra você também.
Há outras várias palavras que poderiam ser listadas, contudo quero algo diferente...
Gosta de histórias?
Ah, amizade... Eu me pergunto o que seriam dos homens sem este sentimento, sem a possibilidade de confiança em alguém e da consciência que ao seu lado há quem esteja pronto para rir, chorar, cantar e gritar com você, além de compartilhar segredos não tão secretos, que todos os seus amigos conhecem. Concluo que não seriam nada. Nada senão um organismo sem vida e tedioso.
O tédio... Quem não o conhece? Já tive a chance de vê-lo de perto e, se fosse atribuir-lhe uma face, diria se tratar de uma caricatura peculiar: olhos mórbidos e inexpressivos, pele flácida e parada, sem rugas, porque as rugas são sinônimo de choro e riso. Enfim, pacato e imutável.
Mudança... Esta ocorre diariamente, sem que tenhamos a chance de vê-la ou percebê-la. Quando nos damos conta, é tarde. Porém, há momentos em que desejamos mudar, nos renovar, e sequer sabemos por onde começar. O que promove a mudança? Um ano novo seria capaz de renovar o ser que sou? Você seria capaz de mudar-me? Prefiro substituir tudo isso por uma única questão: somos nós que mudamos o mundo ou é ele que nos muda?
Essas não são palavras famosas, são apenas termos repletos de significado. Significam algo para mim e tenho certeza de que significam ou já significaram pra você também.
Há outras várias palavras que poderiam ser listadas, contudo quero algo diferente...
Gosta de histórias?
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