Espaço Alfa, 7 de outubro de 2010
Meu menino,
Anseio por saber notícias suas. A chuva tem trazido e levado tantas coisas, que certamente já trouxe seu riso e sua preocupação junto de seus ventos, sem que, contudo, eu notasse. Coisas que passaram e que não deixaram o que deveria ficar. Tristes ventos que não param para que eu possa apanhar os sonhos sem asa perdidos no meio do caminho para dar-lhes um rumo!
Ah, meu menino, mas tenho tanta coisa para lhe contar! Vi uma estrela de brilho raro em tempos de chuva. Sua luz era tão intensa que por segundos ofuscou-me a vista: segundos de cegueira branca. Recobrado o sentido, percebi que ela não mais estava ali. Foi iluminar outras relvas e outras almas, deixando-me tão despreparada, sem aviso. É certo que isso não é novo, mas sua luminosidade era tão confortável, que por tempos não consegui aceitar seu adeus. Adeus este que nunca foi dado. Como bem me conhece, já sabe que meu inconformismo anda me perseguindo por conta disso, embora, atualmente, saiba lidar melhor com ele. Trocamos até segredos, por vezes! Falei sobre o medo que porto, para depois ouvir longa e eloquentemente sobre a esperança. E assim seguem os dias, entre calmaria e desassossegos.
Dessa vez pouparei exageros, limitando-me apenas a dizer que sinto saudade. Saudade das conversas despreocupadas, dos abraços reconfortantes, do tempo que passava sem passar, da felicidade aqui e acolá. Saudade dos brilhos que se apagaram. Saudade dos sorrisos perdidos. Saudade das cartas que nunca recebi.
Com carinho, C*
Ah, Ca. nem sei o que dizer, conte sempre comigo, amiga !
ResponderExcluirEu sou apenas uma sonhadora sem experiência e sem sorte, mas acredito fervorosamente que não existe um "Adeus". Os momentos vêm e vão, sempre precisamos nos deparar com despedidas, algumas mais dolorosas e longas que outras, mas, quando se há vontade, o reencontro sempre acontece.
ResponderExcluirAlgumas vezes apenas basta que velhas mágoas sejam deixadas para trás. Basta abster o orgulho e deixar que sua vontade seja feita.
Talvez só falte essa iniciativa pra que a luz volte a brilhar.
Má, seus últimos comentários muito me surpreenderam e me deixaram feliz. A felicidade foi por terem sido elogiosos e repletos de vivacidade. E a surpresa, por terem trazido contestações ricas: a infantilidade como qualidade e a possibilidade de mudança partindo de atitudes, como "abster o orgulho". Com certeza essas opiniões vão ficar guardadas em uma sementinha em algum canto protegido para, quem sabe, um dia brotarem.
ResponderExcluirObrigada pelos seus comentários!
E, Jéh, obrigada pelas palavras doces!